sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Força da greve dos bancários arranca negociação com Fenaban nesta sexta-feira (09)



 
O primeiro dia de greve dos bancários e bancárias em todo o Brasil é considerado o maior da história.
O movimento, uma resposta à proposta rebaixada da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), fechou 7359 agências, centros administrativos, Central de Atendimento (CABB) e Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) tiveram as atividades paralisadas. Segundo dados do Banco Central, o número equivale a 31,25% do total de agências no Brasil.
Ainda no final da terça-feira, a Fenaban chamou a categoria para nova rodada de negociações que acontece na sexta-feira (9), às 11h, em São Paulo. Os números da adesão deste primeiro dia são 17,7% maiores do que os do primeiro dia do ano passado.
“O resultado mostra a força do movimento e a disposição dos bancários em lutar por melhores salários, garantia de emprego e melhores condições de trabalho. A tendência é que a greve cresça ainda mais nos próximos dias com o fechamento de mais agências nas principais bases sindicais“ ressaltou o presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Emanoel Souza.

Má vontade dos bancos

Desde a data da entrega da minuta de reivindicações dos bancários à Fenaban, no dia 9 de agosto, já ocorreram cinco rodadas de negociações e os banqueiros não apresentaram proposta decente aos trabalhadores. A proposta que a Fenaban apresentou no dia 29 de agosto foi de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A oferta não cobre, sequer, a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para os bancários.
Entre as reivindicações dos bancários estão: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.
Com os lucros nas alturas, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos.


Novas eleições e defesa dos direitos podem emparedar Temer, apontam pesquisadores



 
A defesa pela realização de novas eleições e dos direitos sociais e trabalhistas que sofrem, cotidianamente, ataques da gestão biônica que tomou de assalto o Palácio do Planalto, podem emparedar Michel Temer, é o que avaliam os pesquisadores Esther Solano, professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e Luis Felipe Miguel, professor da UnB (Universidade de Brasília). As declarações foram feitas em entrevista ao El País.
Para a socióloga Esther Solano o mote "diretas já" podem atrair uma parcela da sociedade civil que se considera progressista, mas que não somou forças às manifestações contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Solano indica que "mais forte é a reação contra as medidas de austeridade propostas pelo Governo Temer, como os retrocessos sociais propostos com as mudanças na CLT, por exemplo, que tem uma capacidade de mobilização muito maior".
Na mesma linha, o cientista político Luis Felipe Miguel, professor da UnB (Universidade de Brasília), considera que os pedidos de novas eleições, devem ganhar força nas manifestações. "[Propor novas eleições] É uma forma de desgastar o Governo e lembrá-lo, até 2018, que ele não chegou onde chegou legitimamente", afirmou ele.
Assim como Solano, Miguel vê na reação às reformas propostas por Temer um maior potencial de oposição da sociedade civil.
Ele ainda destacou, como ponto emblemático, o fato de não haver movimentos de apoio ao presidente biônico.  "Não vemos um movimento, mesmo entre os que queriam a Dilma fora, levantando a bandeira de Temer".

Maioria apoia

Pesquisa Datafolha publicada em julho indicou que a convocação de novas eleições teve o apoio de 62% da população. Também em julho, pesquisa da consultoria Ipsos aponta que 52% dos entrevistados apoiam a convocação de um pleito antecipado para outubro, quando já ocorrem as eleições para prefeitos e vereadores em todo o país.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Temer não vai recuperar respeito do povo; precisa de consulta popular



 Manifestantes nas ruas de São Paulo pelo quarto dia consecutivo pedem eleições já. “O povo que tem que decidir”
O ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu, nesta quinta-feira (1º), que o presidente empossado Michel Temer proponha um plebiscito para perguntar à população se ele deve exercer o cargo de presidente da República até o dia 31 de dezembro de 2018, quando terminaria o mandato de Dilma Rousseff. Em sua conta no Twitter, o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa disse que Temer está enganado se pensa que terá o respeito e a estima da população brasileira.
Manifestantes nas ruas de São Paulo pelo quarto dia consecutivo pedem eleições já. “O povo que tem que decidir” Manifestantes nas ruas de São Paulo pelo quarto dia consecutivo pedem eleições já. “O povo que tem que decidir”
“Sugiro que o presidente Michel Temer realize a proposta de consulta pública para saber se o povo brasileiro quer ou não que ele exerça o mandato até 31 de dezembro de 2018”, disse Suplicy ao se referir à falta de legitimidade de Temer.

Impeachment tabajara

Horas depois de o Senado promulgar a destituição de Dilma e Temer tomar posse do cargo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa fez duras críticas ao processo de impeachment, o que chama de “impeachment tabajara”. Em mensagens pelo microblog Twitter, Barbosa diz que Temer não terá o respeito e a estima dos brasileiros.
Barbosa definiu, ainda, como “patética” a entrevista dada por Temer logo após a posse e disse que o novo presidente está enganado se pensa que terá o respeito e a estima da população brasileira.
“Eu não acompanhei nada desse patético espetáculo que foi o ‘impeachment tabajara’ de Dilma Rousseff. Não quis perder tempo. Mais patética ainda foi a primeira entrevista do novo presidente do Brasil, Michel Temer. Explico: O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se”, escreveu Barbosa.



Golpe na comunicação: Frente protesta contra fim da autonomia da EBC



  
Diversas entidades e personalidades intelectuais organizadas na Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública realizam nesta sexta-feira (2), desde as 14 horas, ato em frente à sede da empresa estatal contra a decisão do governo ilegítimo de Michel Temer de retirar a autonomia da entidade.  
O presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, assinou a Medida Provisória 744/2016, publicada nesta sexta-feira (2), que altera os princípios e os objetivos da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), derrubando o Conselho curador da estatal e trocando o comando da entidade.
“Já sabíamos que Temer apenas aguardava a votação do impeachment de Dilma Rousseff para iniciar esse processo de desmanche”, avalia Renata Mielli, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
“Algumas das vítimas do golpe em curso no Brasil são a liberdade de expressão, a participação social e a luta por uma mídia com mais diversidade e pluralidade”, acrescenta Mielli. “Não aceitaremos isso de forma passiva. Vamos buscar nossos direitos, como cidadãos, de garantir a manutenção de uma comunicação verdadeiramente pública, com participação social. Vamos recorrer da maneira que for possível e denunciar internacionalmente esse ataque”, completou.
Em debate no Barão de Itararé, na ocasião das primeiras sinalizações de ataque à EBC por parte do então presidente interino, Franklin Martins opinou ser “sintomático que um sujeito entronizado no poder por um golpe ataque a comunicação pública com tamanho violência e urgência”.
Um dos responsáveis pela implementação da EBC em 2007, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) avalia: “Por um lado, foi um recado do governo provisório ao seu grande aliado e porta-voz do golpe, que é o monopólio da mídia. Por outro, também escancara um incômodo profundo dos golpistas com vozes dissonantes na comunicação brasileira”.
O Conselho Curador da EBC emitiu nota de moção de repúdio contra medida provisória que desmonta a EBC. Confira a íntegra do documento:
O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) repudia de forma veemente a Medida Provisória 744, publicada nesta sexta-feira (02/09/2016) que acaba com o caráter de empresa de comunicação pública. A MP 744 é uma afronta aos princípios constitucionais que estabelecem a comunicação pública como um direito da sociedade brasileira. A medida fere o artigo 223 da Constituição Federal, que prevê a complementaridade dos sistemas público, privado e estatal.
A MP 744 extingue o Conselho Curador e assim tira a autonomia da EBC em relação ao Governo Federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo no sistema público de radiodifusão e agências.
Também foi publicado nesta sexta-feira decreto que exonera o diretor-presidente da EBC Ricardo Melo, contrariando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que garantiu a legalidade do mandato em junho.
Composto por representantes de vários setores da sociedade civil, do Congresso Nacional, do Governo, e dos funcionários da empresa, o Conselho Curador tem atuado para garantir a diversidade de vozes nos veículos da EBC.
Além da vigilância constante para o cumprimento dos princípios que regem a EBC, ao longo dos últimos oito anos, o Conselho Curador foi responsável por demandar a criação de uma faixa de diversidade religiosa na TV Brasil e nas rádios da EBC, orientar a empresa na criação do seu manual de jornalismo, recomendar e cobrar diversidade de gênero, raça, orientação sexual e acessibilidade em todos os conteúdos, defender a cobertura de pautas relacionadas aos direitos humanos, apontar as diretrizes para os planos de trabalho anuais da empresa e promover mais de dez audiências públicas para debater temas diversos como a produção independente e regional.
Cabe ressaltar que a MP 744 extingue o Conselho Curador no mesmo dia em que ocorreria a sua 63ª Reunião Ordinária, em que iria deliberar sobre assuntos importantes envolvendo a grade de programação dos veículos da EBC, a destinação dos recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública e a renovação do próprio Conselho.
Os/as integrantes do Conselho Curador se juntam às iniciativas da sociedade civil contra a MP 744 e na firme defesa da EBC e da Comunicação Pública.

Representantes da sociedade civil no Conselho Curador da EBC

Rita Freire (presidenta)
Ana Maria da Conceição Veloso
Enderson Araújo de Jesus Santos
Heloisa Maria Murgel Starling
Ima Célia Guimarães Vieira
Isaias Dias
Joel Zito Araújo
Matsa Hushahu Yawanawá
Mário Augusto Jakobskind
Paulo Ramos Derengoski
Rosane Maria Bertotti
Takashi Tome
Venício Arthur de Lima
Wagner Tiso

Representante dos funcionários da EBC no Conselho Curador da EBC

Akemi Nitahara