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Prefeitura Municipal de Caicó paga nesta terça-feira(30/06) os salários
do funcionalismo público. O pagamento do mês de Junho vai injetar R$
3.872.517,53 na economia da cidade.
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Crise grega indica que o Brasil deve priorizar seu mercado interno
Opinião é do economista Adhemar Mineiro, especialista em relações internacionais. Mundo está instável como na época pré-crise de 2008
Roberto Parizotti Adhemar Mineiro: apostar mais nos mercados externos é alto risco
A queda-de-braço entre a Troika (Banco Central Europeu, FMI e a União
Européia) e a Grécia está para ser decidida em alguns dias. O prazo está
se esgotando. Embora seja impossível fazer prognósticos precisos,
algumas possibilidades podem ser imaginadas, a depender do resultado das
negociações.
De um lado, a Grécia quer renegociar os termos do pagamento da dívida, e
o partido no poder, o Syriza, diz não aceitar novos cortes nas
aposentadorias ou aumento de preços de energia, entre outras cláusulas
de austeridade fiscal. Do outro, a Troika, querendo que a cartilha do
superávit primário e do pagamento das dívidas esteja acima das questões
nacionais.
Se a Grécia ganhar pontos, ou sair da Zona do Euro e se afastar da
União Europeia, pode produzir alterações no eixo geopolítico e
aproximá-la do BRIC’s e, portanto, da China e da Rússia.
Porém, talvez a maior lição a ser tirada do caso é que o mundo
continua, segundo Adhemar Mineiro, economista do Dieese estudioso de
questões internacionais, em níveis críticos como os observados momentos
antes da eclosão da crise de 2008. E que, por isso, em lugar de se
deixar contaminar pelas instabilidades externas, o Brasil deve priorizar
seu mercado interno.
"É necessário que a gente veja que é dentro dessa situação,
de um mundo em crise e muito fragilizado financeiramente, independente
da questão grega, que vamos continuar nos próximos anos. Você continua
com uma crise financeira que alguns analistas dizem que pode ter se
agudizado em relação a 2008"( Adhemar Mineiro).
As negociações entre CE e Grécia ainda não foram concluídas. É
possível fazer algum prognóstico, alguma aposta sobre o resultado dessas
negociações?
É difícil, porque os dois lados neste momento vão fazer apostas.
Estamos numa sexta-feira, as negociações foram suspensas ontem à noite e
devem ser retomadas amanhã, no sábado. Você tem de um lado a delegação
da União Europeia, que é representada pela Troika, que faz uma aposta no
sentido de pressionar a Grécia, por achar que se a Grécia sai da Zona
do Euro, isso não terá um grande impacto já que eles já tomaram medidas
no sentido de que a turbulência financeira não seja tão grande.
Que medidas foram essas?
Medidas de colocar recursos à disposição dos bancos da UE que sejam
sacudidos, até pela política de expansão monetária que o Banco Central
Europeu já vem tomando há algum tempo. Então, a aposta deles é que a
crise fique circunscrita à Grécia. Muitos analistas do mercado
financeiro dizem que essa aposta europeia é muito arriscada, porque, lá
atrás, o governo americano teria feito a avaliação que a crise de 2008
ficaria circunscrita ao Lehman Brothers quando o banco quebrou e, logo o
que se viu é que a crise se espalhou por todo o mundo. Essa é uma
primeira discussão. E outros analistas, como o Martin Wolff, analista
antigo do Financial Times, relativamente confiável, diz que a saída, que
o fato de a União Europeia deixar a Grécia quebrar pode sinalizar aos
outros países de que eles não podem contar com a União Europeia em
momentos de dificuldade. Então, isso enfraqueceria o bloco, de alguma
maneira. E a gente sabe que aí existe um calendário político. Lá na
frente já há sinalizações regionais, o Podemos na Espanha pode querer
mudar a política, e a Espanha é economicamente muito maior que a Grécia.
Mesmo que o problema agora ficar circunscrito à Grécia, será possível
usar a mesma tática com um país como a Espanha?
Do ponto de vista grego, também há um problema grave. Os eleitores que
escolheram essa frente, o Syriza, por um lado deram um mandato que
apontava o fim da austeridade, e por outro querem se manter na Zona do
Euro. Ou seja, é um mandato ambíguo. Contando que têm uma maioria
relativamente frágil...
Maioria no parlamento?
No parlamento, então, isso pode colocar problemas. Não é uma situação
sem riscos para ambos os lados, neste momento. Agora, as exigências que a
União Europeia faz parecem inaceitáveis do ponto de vista dos gregos.
Em toda negociação em política econômica, eu costumo dizer que o
substantivo é a política, econômica é o adjetivo. A União Europeia diz
que quer o ajuste fiscal e a Grécia diz que pode fazê-lo tributando os
mais ricos, os hotéis, as corporações. Porém, os representantes da União
dizem ‘queremos que vocês façam uma reforma do sistema previdenciário’ e
aí os gregos dizem não, as pensões já foram cortadas, não aceitamos
mais mudanças.
Por que os cortes nas aposentadorias deixarão na miséria toda uma geração de meia-idade hoje sem emprego.
Você já teve mudanças recentes nas aposentadorias aceitas pelos
governos conservadores. Volta aquele problema: a maioria deu um mandato
para o Syriza para não permitir esse tipo de coisa. O governo também
argumenta que se permanece esse tipo de reforma, corta aposentadoria,
corta pensões, a Grécia vai continuar não crescendo. A gente tem de
lembrar o seguinte: essa política foi feita, teoricamente, entre aspas,
para reduzir o peso da dívida grega, mas nos últimos anos o que
aconteceu foi que a Grécia reduziu em cerca de 25% seu PIB, ou seja, deu
uma marcha à ré bastante expressiva. A gente sabe o que isso significa,
uma situação política extremamente difícil. Por outro lado, mesmo
administrando um recuo de 25% do PIB em cinco anos, a dívida grega em
Um beco sem saída.
Você aumentou o endividamento grego. Se você está medindo a relação
dívida/PIB, só isso matematicamente já mataria. A dívida remunerada pela
taxa de juros e o país não está crescendo, a dívida cresce. É o que vai
acontecer este ano no Brasil. À medida que você não cresce, a relação
dívida/PIB cresce, ainda mais a dívida sendo remunerada por uma taxa de
13%. A arrecadação cai, então no final do ano provavelmente a relação
dívida/PIB vai crescer.
Isso parece muito óbvio, especialmente dito por um especialista
como você. Por que, apesar disso, essa receita continua sendo adotada?
Porque não se trata de uma receita econômica, se trata de atender os
aplicadores financeiros, então, todo esse ajuste grego, de novo entre
aspas, é para garantir o retorno desses aplicadores. O Banco Central
Europeu e o FMI estão negociando em nome desses credores. É garantir a
remuneração desses credores antes de qualquer coisa.
Você tem ideia de qual o número aproximado desses credores? São centenas, talvez?
Olha, isso é difícil de saber. A gente na verdade vai saber quando e se
a bomba explodir, como aconteceu no caso do Lehman Brothers. Quem é que
está com esses títulos gregos? Agora, a experiência que a gente tem no
passado é que são sempre os grandes bancos e grandes fundos
institucionais, e aí quando você entra nos fundos institucionais isso
acaba envolvendo milhares de pessoas que colocam seu dinheiro no banco
ou num fundo de pensão sem saber exatamente onde será aplicado. O banco
costuma só te perguntar se você é um aplicador agressivo ou conservador.
Você nunca vai olhar em que tipo de papel você está aplicando.
No caso da Grécia, se ela sair da União Europeia vai passar por
tempos de dificuldade, mas eles já estão sofrendo. A saída não pode
apontar uma alternativa ou será uma situação mais dramática que a atual?
Aparentemente, o que está colocado hoje não é eles saírem da União
Europeia, é eles deixarem a moeda comum. Há vários países que estão na
União Europeia e não têm moeda comum, como é o caso da Inglaterra, que
mantém a libra, dos suecos e dos dinamarqueses que mantém suas coroas,
então você tem essa diferença. O que está colocado é a Grécia recuar da
união monetária e voltar a circular sua moeda antiga, o dracma. Isso num
primeiro momento representa uma mudança econômica no interior da
Grécia. Os gregos que hoje recebem um dinheiro que tem circulação em
todo o continente, que teoricamente é uma moeda forte. Terão acesso a
essa moeda forte quem for exportador. Isso envolve todo o setor de
turismo e os eventuais exportadores. O efeito lá dentro não tem, porque
as coisas vão voltar a funcionar na antiga moeda grega: os pagamentos
aos funcionários públicos, às aposentadorias. A grande questão são as
importações. Você não vai ter moeda internacional para importar
produtos. Mas isso a Grécia já vem negociando. Você tem aí uma
diplomacia oculta. Os dois principais problemas para os gregos seriam a
importação de energia, a Grécia é importadora de petróleo, e o impacto
na importação de remédios. Existem fábricas de medicamentos na
Grécia,mas os insumos são importados. Na área de energia, a gente viu a
movimentação do primeiro ministro grego em várias reuniões com os
russos, que são grandes fornecedores de petróleo e gás. Aliás,
recentemente a Grécia anunciou um acordo de gás com os russos, mas pode
ser que ela seja abastecida de petróleo também pelos russos, com algum
tipo de acerto financeiro com os russos.
Porque é preciso uma moeda aceita em transações internacionais.
O euro é aceito. Assim como o real, o dracma, se voltar, não é aceito
em transações internacionais. O país tem de comprar ou dólares ou euros
para importar, ou ter saldo nas balanças comerciais ou de pagamento. E
os gregos também podem – e a gente viu as movimentações dos gregos na
reunião da União Europeia e a Celac (Cúpula das Comunidades dos Estados Latinoamericanos),
quando o primeiro ministro se reuniu com a Dilma, por exemplo – fazer
conversas com os países BRIC’s. Nesses países BRIC’s há um grande
produtor de medicamentos que é a Índia. Então, talvez, a gente nunca
sabe qual é a diplomacia oculta, tenha alguma conversa para evitar o
pior.
Mas se essa movimentação da Grécia apontar lá na frente uma
aproximação com os BRIC’s ou com blocos como Mercosul, por exemplo, em
busca de novos parceiros, isso pode ser positivo, pois vai deslocando o
eixo geopolítico, não?
Esse é outro cálculo que a União Europeia tem de fazer. A gente sabe
que dos países BRIC’s quem tem dinheiro é a China, os outros não tem
propriamente dinheiro para bancar os gregos. Se a China entra com
dinheiro na Grécia, os europeus correm um risco. Há certas decisões no
interior da União Europeia que têm de ser tomadas por consenso. E
existiria o risco de a China negociar um voto. Olha o risco político. Se
eles deixam a Grécia à deriva, pode ser que alguém banque. E se alguém
bancar, passa a ter influência nas decisões do bloco.
Essa questão do voto seria um voto indireto, via Grécia.
Em questões que podem interferir nos interesses chineses, ou mesmo
russos, se eles entrarem forte, os gregos podem passar a consultar a
China ou a Rússia. Várias questões que envolvem segurança têm de ser
decididas por consenso, e nós sabemos que há um problema na Ucrânia
nesse momento. Isso pode envolver que os gregos, que já não são muito
favoráveis à OTAN, podem se tornar um problema, até para a OTAN.
Todas essas coisas pesam a favor da decisão da Grécia em não pagar a dívida nos termos impostos pela Troika.
É como estou dizendo, a decisão é iminentemente política. Implícita ou explicitamente, todos estão dentro de um jogo.
Uma derrota, ainda que parcial, dessa tese da autoridade
fiscal, no caso grego, poderia provocar uma reação em cadeia, de forma a
colocar outros países numa posição contrária a essa ideia de pagar
dívida acima de qualquer prioridade?
Aí é outro problema político que está colocado. A hegemonia hoje é uma
hegemonia conservadora, em matéria de economia mais ainda, e a União
Europeia seria cobrada por outros países que suaram para levar adiante
essa política de austeridade, caso de grandes como Espanha e Itália, mas
você tem também Portugal, Irlanda e outros, como os países bálticos,
que tiverem de administrar retrocessos grandes em termos de PIB. Eles
vão perguntar ‘por que isso está sendo exigido de nós e da Grécia não?’.
Vai abrir caminho para um processo de renegociação. Em um momento em
que essa busca de alternativas, como o Podemos na Espanha, está na
agenda.
Como está neste momento a atuação sindical na Grécia? Os sindicatos estariam prontos para enfrentar esse cenário de rompimento?
A gente sabe que num processo recessivo o movimento sindical perde
força. Por outro lado, na parte sindical, existe a forte presença do
Partido Comunista Grego, que tem uma política francamente antieuropeia. É
inclusive contra a permanência na União Europeia, e não quis participar
da coalizão com o Syriza por achá-lo muito conservador neste ponto. Uma
coisa como essa vai colocar ainda mais tensão no movimento sindical.
Em anos recentes, o Brasil foi muito criticado em sua política
externa por, supostamente, se meter onde não era chamado ou opinar sobre
temas que não seriam de sua alçada. Desta vez, no caso grego, não houve
nenhum posicionamento claro do governo. O que você pensa disso?
Primeiro, eu acho que houve esse movimento. A presidenta Dilma se
encontrou em Bruxelas com o primeiro ministro grego na reunião da Cúpula
Econômica Europeia/Celac. Talvez com perfil mais baixo do que se faria
em outros momentos, mas o Brasil não está ausente nessa discussão. E eu
acho que um país que é a sexta ou sétima economia do mundo, dependendo
da questão de câmbio ou de como se desenvolve a economia da Inglaterra,
que disputa conosco essas posições, e com o nível de incidência global
muito forte, tem de se preocupar com essa questão. Evidentemente, uma
turbulência na União Europeia afeta o Brasil, e a Grécia é um país-chave
de entrada para o Oriente Médio e a África. Acho que o governo
brasileiro tem se preocupado com essa questão, claro que essa não é a
prioridade, dada nossas condições internas. E outra coisa que já
falamos: qualquer possibilidade de ajuda ou parceria com a Grécia vai
vir do lado dos BRIC’s. Agora em julho tem encontro dos BRIC’s para
definir o fundo de reserva e o funcionamento do banco do bloco.
Os BRIC’s podem então ser um porto seguro.
Podem ter um envolvimento. E pelo que vimos, o primeiro ministro grego
se reuniu recentemente com a presidente Dilma e o presidente Putin (Vladimir, presidente russo).
Quer acrescentar algo?
O que eu acho importante de as pessoas reterem é que o mundo ainda está
funcionando sobre o quadro da crise de 2007 e 2008. Então, por mais que
o mundo financeiro diga que essa crise já passou, ela ainda está
fazendo parte, do ponto de vista produtivo, do ponto de vista
geopolítico, das decisões que ainda estão sendo tomadas. É necessário
que a gente veja que é dentro dessa situação, de um mundo em crise e
muito fragilizado financeiramente, independente da questão grega, que
essa situação vai continuar nos próximos anos. Você continua com uma
crise financeira que alguns analistas dizem que pode ter se agudizado em
relação a 2008. O problema que a gente tinha lá atrás era o
descolamento da riqueza financeira e a riqueza real do mundo, e num
primeiro momento houve recomendações para o controle dos capitais. Mas
logo depois houve uma política de expansão monetária tanto nos Estados
Unidos quanto na Europa que acabou elevando novamente esse capital
fictício. E a gente não sabe que dimensão tem isso hoje em dia. O que a
gente sabe é que algumas bolsas voltaram ao nível pré-2007 e isso
significa que esse capital especulativo se multiplicou de novo. Nós
podemos estar como estávamos lá, na beira da crise de 2008.
Podemos estar na iminência de um novo 2008?
Não sei se isso é tão iminente, porque os países aprendem lições com a
crise. Mas seguramente você está numa situação de instabilidade parecida
e todo o discurso que houve, nos primeiros documentos do G-20 após a
crise, falava de controle de capitais e tudo mais, foi tudo esquecido.
Continuamos com pés de barro, então?
Exatamente. Por isso, eventos desse como o da Grécia acabam tendo uma
repercussão muito maior. A gente não sabe a capacidade de a quebra da
Grécia contaminar todo o mundo financeiro. E há outra preocupação para a
economia brasileira: quanto mais um país se voltar para países que
estão em crise, estão instáveis, mais você vai trazer instabilidade para
dentro do país. Então, quem fala que o Brasil tem que apostar mais nos
mercados externos, mais em acordos comerciais, mais em
internacionalização financeira, na verdade defende uma aposta de risco e
trazendo aqui para dentro essa instabilidade lá de fora.
Então é nos concentramos mais no mercado interno?
Como foi feito em 2008 e 2009, voltar a apostar no mercado interno, do
crescimento da produção aqui dentro, investir em projetos aqui dentro,
porque a gente tem muita coisa para fazer em termos de construir um
país. Em termos de políticas sociais, montar infraestrutura, reforma
urbana, transporte, saneamento, habitação, reforma agrária, uma agenda
inteira que pode nos dar 15 anos de crescimento.
domingo, 28 de junho de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Para engavetar projeto é essencial a unidade e luta permanente dos trabalhadores
Roberto Parizotti Lançamento da Frente Parlamentar contra o PL 4330, agora PLC 30
Foi com o auditório lotado, com mais de 400 pessoas, entre
parlamentares, militantes e dirigentes sindicais, que nesta quinta-feira
(25), no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, foi lançada oficialmente a
Frente Parlamentar contra o Projeto de Lei (PL) 4330. O projeto que
tramita agora no senado como Projeto de Lei da Câmara (PLC) 30/2015
regulamenta e amplia a terceirização nas relações de trabalho.
Coordenada pelo Deputado Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT),
Teonílio Monteiro, o Barba, a frente tem como objetivo ampliar as
mobilizações dos trabalhadores com debates e ações contra este projeto
de terceirização.
O PL 4330 foi desengavetado neste ano pelo Presidente da Câmara,
Eduardo Cunha, mas a ideia de tirar direitos trabalhistas é antiga,
relembra o Presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima. “A primeira
vez foi em 2001. Já tentaram tirar o artigo 618 da Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT), uma forma de precarização dos direitos básicos
do trabalhador como férias, 13º, Fundo de Garantia, entre outros. O
Presidente da República era o Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o
Presidente da câmara Aécio Neves. Mas a CUT, outras centrais e
movimentos sociais lutaram para que isso não acontecesse. Se não fosse a
mobilização dos trabalhadores, hoje nós não teríamos mais carteira
assinada no Brasil”, conta Adi. “Agora veio com o PL 4330, com o mesmo
objetivo, porque os empresários insistem tanto em retirar nossos
direitos?”, questiona o presidente da CUT.
A mobilização com apoio de vários segmentos da sociedade podem fazer
com que o senado vete o PLC 30, mas se não vetar a mobilização deve ser
maior ainda pra que a Presidenta Dilma Rousseff vete. “Em nome da CUT eu
afirmo, nós não iremos aceitar nenhum direito a menos”, disse
emocionado Adi.
Ele também destacou a ausência da população nas galerias da Assembleia
Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) quando um deputado que
representa os trabalhadores, como Barba, leva ao plenário debates como
este. “Nossos guerreiros e guerreiras que estão na ALESP, para nos
defender, precisam dos nossos respaldos, temos que lotar a assembleia
para ajuda-los a enfrentar os outros projetos que não beneficiam os
trabalhadores e apoiá-lo nos projetos que garantam direitos aos
trabalhadores. É importante que esta frente seja multiplicada em todos
os estados brasileiros”, finaliza Adi.
A frente parlamentar tem este objetivo, ampliar os debates e mobilizar
mais trabalhadores para enfrentar esse retrocesso nos direitos
trabalhistas. Para Barba o debate tem que ir também além da ALESP. “A
nossa intenção é ampliar o debate sobre o tema, fazer audiências
públicas no estado de São Paulo, nas câmaras municipais, em
universidades contando sempre com apoio de instituições, como a Central
Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicatos, Organizações da Sociedade
Civil, Movimentos Sociais, Associação Nacional dos Magistrados da
Justiça do trabalho (ANAMATRA), Ministério Público do Trabalho e Emprego
(MPTE), Tribunal Superior do trabalho (TST), entre outras que são
contra o PL4330”, destaca o Barba, que também é metalúrgico e militante
das causas dos trabalhadores. “É um projeto que vai reduzir o salário,
benefício, direitos e a organização sindical. Para nós ter conseguido
instalar esta frente parlamentar contra o PL 4330 foi muito importante.
Esse projeto da terceirização é o maior processo de flexibilização das
leis trabalhistas no país, não podemos descansar enquanto este projeto
não for engavetado”, finaliza ele.
O Presidente do Sindicato dos Metalúrgico do ABC, anfitrião do evento,
afirmou a importância de São Paulo debater esse assunto, já que é o
segundo maior parlamento do país, ficando atrás somente da Câmara de
Deputados Federais e é governado por uma política neoliberal há mais de
20 anos. “É um ano fundamental de muito ativismo em defesa de causas
importantes do modelo de país e das relações de trabalho que queremos.
Mexeu com os terceirização mexeu com os trabalhadores, mexeu com os
direitos, mexeu com os trabalhadores” afirma Rafael.
Fonte: CUT
ESTADO E POLITICAS EDUCACIONAIS EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO E TRANSNACIONALIZAÇÃO DO CAPITALISMO
Por
Professor Thiago Costa
Vivemos
hoje em um mundo globalizado, sob uma hegemônica influencia do modo capitalista
de produção e de suas decorrentes filosofias e valores, mas, também por uma
infinidade de contradições e processos de resistências que emergem como reação
aos processos de marginalização e exclusão típicas do modelo de sociedade em
que vivemos.
Por
um lado, o século XX foi um momento de avanços tecnológico, cientifico, da
expansão dos ideais democráticos, do reconhecimento dos direitos universais dos
seres humanos e, dentre eles, o direito a educação pensada em uma perspectiva
universalista e expresso em documentos internacionais, a exemplo da Declaração
dos Direitos Humanos; por outro lado, evidenciou-se a eclosão de duas grandes
guerras e um decorrente estado de medo e incertezas, o surgimento de regimes
totalitário sustentado tanto por pensamentos de direita quanto de esquerda, o
crescimento da intolerância calcada em fundamentalismo racistas, sexista e
religiosos, a continuidade da pobreza marcada por um fosso de desigualdades
entre indivíduos de um mesmo pais, continente ou dentro da dinâmica da ordem
mundial e, mas, recentemente, os ditames que emanam das novas correlações de
forças entre as nações e instituições supra nacionais que, por sua vez, se
inserem dentro de um constatado processo de globalização e transnacionalização
do capitalismo que, sob diferentes formas e intensidades, impactam os
estados-nação.
Dentro
desse contexto, no que se refere à questão do estado-nacional, nos importando
aqui o que diz respeito à educação, cabe-nos uma reflexão a respeito de qual o
papel dos governos no que se refere ao planejamento e a elaboração de politicas
públicas para aquele setor diante o cenário de expansão do ideário neoliberal
que ganha força na década de 1990 e que tem ditado o rumo das diretrizes da
vários governos pelo mundo.
No
entanto, antes de adentrarmos a essa questão, é importante ainda refletir sobre
o lugar da educação nas politicas publicas em outros contextos. É preciso
destacar que a educação, o processo de escolarização, de aculturação, esteve
presente em várias sociedades sendo necessárias as estratégias de coesão,
aculturamento, transmissão de valores, ou, ainda, como estratégia de introdução
de mudanças comportamentais, como processo de resistência, uteis quando em momentos de discussão de novos rumos
dentro das coletividades.
A
educação, pensada nessa perspectiva de hegemonização cultural, foi elevada a um
importante pilar dos estados-nacionais, característico do período compreendido
entre o final do século XIX e inicio do século XX, que a percebia como
indispensável a construção de uma identidade nacional, o que na prática
desembocou em politicas educacionais excludentes, uma vez que ignorava a
diversidade, a pluralidade de sujeitos para aos quais se destinava, resultando
em exclusão e em fracasso escolar.
Esse
papel do estado com relação à implementação de politicas educacionais
acentua-se, principalmente, após a crise de 1929, que se origina nos Estados
Unidos e expande-se para várias regiões do globo. Entre outros desdobramentos
daquela crise destacamos a incerteza, ou mesmo descrença, na eficácia da “mão
invisível do mercado” e na emergência de um novo papel do estado como promotor
do bem-estar-social que tem como marco o New Deal, fato esse que vai inspirar
governos de vários outros países.
Essa
nova perspectiva e de atuação do estado, visto como principal responsável pela
elaboração de politicas públicas, que tem o seu augi nas décadas de 60 a 80 do
século XX, coincide no, no Brasil, com o estado desenvolvimentista, no qual os
governos terão um papel central no planejamento e implementação das politicas
educacionais, destacando-se nesse período o ensino tecnicista.
O
estado de bem-estar social, enquanto promotor de bens e serviços, incumbia os
governos de um papel central na definição dos rumos e estratégias referentes as
politicas educacionais, ainda que tais politicas, inegavelmente, em menor ou
maior grau, fosse condicionada das tensões oriundas das relações de poder e
pressões surgidas de diversos setores da sociedade.
Não
obstante, a partir da década 1990, no Brasil e em muitos países que passam a
ser denominados de mercados emergentes, nota-se uma crescente submissão aos receituários
neoliberais. O estado, a partir de então, abdica, em grande parte, do
centralismo que exercia na elaboração das políticas publicas para educação,
repassando para os sistemas e instituição de ensino a autonomia na definição
das estratégias, rumos e objetivos da educação nacional.
Frise-se
que se trata, nesse caso, de uma questionável autonomia, pois, em um mundo cada
vez mais globalizado e capitalista, nos quais os estados são concebidos muito
mais como mercados do que enquanto nações, a lógica e os métodos mercadológicos
tem sido presenças marcantes nas politicas de governo.
Autonomia
questionável quando se percebe que o fazer pedagógicos e o gerenciamento dos
sistemas de ensino ou mesmo das unidades escolares não devem prescindir de um
olhar sobre os instrumentos regulatórios que os condicionam e que, por sua vez,
originam-se de instancias supranacionais, tano no âmbito externo quanto no
âmbito interno.
Em
meio aos interesses do mercado, os governos “não podem”, ou pelo menos “não
devem”, contrariar os ditames que vem de organismos como OMC, Banco Mundial,
FMI, OCDE e que hoje, nitidamente, exercem forte influencia sobre as politicas
exercidas na administração dos estados nacionais. Considere-se, ainda, que tais
governos encontram-se no cerne da correlação de força, nas disputas de
interesses, que envolvem aqueles condicionante externos, os interesses de
vários seguimentos da sociedade, os processos de embate e resistência que
ocorrem na atuação das ONGs, dos movimentos sociais, da luta sindical
considerando que também são fatores que tencionam e condicionam as politicas
educacionais. Isso porque no cerne dessas tensões encontram-se projetos de
sociedades e tipos de cidadãos os quais se desejam que sejam viabilizado por
meio da educação escolar.
Assim,
em meio a esse cenário, o estado passa a transferir responsabilidade, delegando
autonomia as instituições, incumbindo-se prioritariamente na definição de
marcos regulatórios e de instrumentos avaliativos para acompanhar o desenvolvimento
da educação e os seus resultados através de exames nacionais.
Cabe
aqui destacar que tais avaliações apesar de uteis na definição das politicas
publicas educacionais e no acompanhamento do trabalho desenvolvido nas redes de
ensino e das unidades escolares, tem sido por vezes questionadas em razão de
seu caráter homogeneizante, que analisa apenas uma fração muito limitada do
processo de escolarização reduzindo-o a aquisição de alguns saberes,
principalmente nas áreas de português e matemática.
Nesse
sentido, apesar da utilidade de instrumentos de avaliação como a Prova Brasil e
o PISA, verifica-se que os mesmos além de desconsiderarem muitos outros
momentos do processo de ensino e aprendizagem presentes nas escolas e, ainda,
todo o contexto social, econômico e político que as circunscrevem, tem servido
muito mais como um instrumento de responsabilização dos agentes e instituições diretamente
envolvidos com o processo educacional do que como uma fotografia aproximada da
realidade da educação.
Partindo
das análises tecidas ate aqui, percebe-se que o estado nacional, concebido como
provedor de bens e serviços para aqueles para os quais governa, tem se deparado
com uma considerável crise que põe em questão a sua sobrevivência, pois, tem
sido fortemente condicionado por instancias supranacionais, com destaque para a
forte influencia dos interesses do mercado sobre as politicas educacionais
implementadas pelos governos.
Nesse
cenário, ainda bastante indefinido, a participação dos sujeitos, dos cidadãos,
no sentido critico-reflexivo e em caráter de militância, parece ser uma
exigência inevitável para aqueles que não pretendem apenas se subordinar aos
ditames mercadológico desse processo de globalização e transnacionalização capitalista.
quinta-feira, 25 de junho de 2015
Nota de agradecimento da chapa eleita para direção do Sindserv
Companheiros e companheiras,
Quero agradecer, em nome de todos
os membros da chapa eleita para o Sindserv, a tod@s aquel@s que exerceram a sua
cidadania e participaram do pleito eleitoral realizado ontem, 24 de junho, quarta-feira,
para eleger a nova direção do nosso sindicato.
Ciente dos desafios que estão
postos, temos a clara compreensão de que junto com cada um dos votos de
confiança depositados em nossa proposta funde-se a necessária responsabilidade
e compromisso com as nossas lutas, pois, estas, nunca cessam.
Reiteramos, aqui, o nosso
compromisso com a luta coletiva e constate não só pela garantia dos direitos já
conquistados, mas, também, pela sua ampliação, por um serviço público cada vez
mais decente e de qualidade que, por sua vez, não tem como prescindi da
valorização de todos os seus profissionais.
Comprometemo-nos em honrar o
histórico de lutas do Sindserv, pois, ao longo de sua existência tem adotado
como marca um incansável ativismo, postura aguerrida na defesa dos direitos dos
trabalhadores e contribuindo para que tenhamos uma sociedade melhor, mais justa
e mais humanizada.
Temos a clara consciência de que
essa luta é ampla e que transcende a nossa própria existência, sendo
extremamente necessário a participação ativa de cada um dos nossos sócios e
servidores municipais, além da união de forças com outras instâncias da
sociedade.
Para sermos fortes precisamos unir
nossas forças, cada um de nós, de todas as áreas do funcionalismo público,
pois, só assim teremos um sindicato forte, combativo, capaz de dar mobilidade
as nossas reivindicações e ampliar as nossas conquistas.
O Sindserv somos todos nós!
Sigamos em frente! A luta
continua!
Vereador se desentende com integrantes de movimentos sociais durante sessão em Caicó
O clima esquentou na sessão desta
quarta-feira (24) na Câmara Municipal de Caicó. O vereador Leleu Fontes
se desentendeu e bateu boca com integrantes de alguns movimentos sociais
que foram protestar no plenário da Casa, contra a aprovação da emenda
que retirou expressões como gêneros e diversidade sexual, do Plano
Municipal de Educação. Leleu voltou a defender que o PME fazia
referência a aplicação de Ideologia de Gêneros nas escolas do municipio,
e defendeu como correta a sua postura de apresentar emenda supressiva
ao projeto.
Com cartazes nas mãos, dezenas dos
manifestantes permaneceram o tempo todo de pé nas galerias da Câmara, e
se manifestavam a cada discurso que tratava do tema. O clima mais tenso
da discussão entre Leleu e o grupo foi quando o vereador taxou os
manifestantes de ativistas marxistas, provocando um intenso troca de
palavras entre o movimento e o vereador. A sessão chegou a ser suspensa
por dez minutos pelo presidente Nildson Dantas.
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