sexta-feira, 22 de março de 2013

Estudantes vítimas de alimentos estragados irão realizar protesto nesse sábado em Caicó





Todos nós – professores, médicos, advogados, técnicos em informáticas, engenheiros – fomos, um dia, estudantes. Antes de sermos bons profissionais tivemos que sentar nos bancos de uma sala de aula, seja do ensino fundamental, médio, técnico, superior ou qualquer outro. Portanto, sabemos o quanto é árduo o caminho até alcançarmos a nossa formação.

Sabendo disso, imagine então o quanto é difícil a vida daqueles estudantes que precisam se alojar em outras cidades, distantes das suas famílias.

Imagina então o quanto essa tarefa se tornar ainda mais difícil quando esses estudantes são desrespeitados, quando eles se tornam vítima de um ato desumano ou de um atentado contra as suas vidas.

Isso é o que está acontecendo nesse exato momento na residência universitária da UFRN em Caicó. Segundo relato de uma estudante, em entrevista cedida a TV Seridó, há evidências que apontam a possibilidade deles estarem comendo alimentos estragados desde maio de 2012.

Trata-se, assim, de graves denúncias, que precisam ser imediatamente investigadas pelos órgãos responsáveis.

Em minha opinião, caso tais denúncias sejam de fato comprovadas, penso que os culpados deveriam ser punidos por tentativa de homicídio, pois, nesse caso, é a saúde dos estudantes que está em questão.

Enquanto, em muitos casos, pais , mães e familiares fazem das “tripas coração” para manterem os filhos na UFRN estes estão correndo sérios riscos de serem vítimas mortais de infecções bacterianas.

Diante desse descaso, os residentes da UFRN, em Caicó, apoiados pela sociedade civil organizada de nossa cidade, convidam a todos que forem capazes de se indignar com esse ato desumano a participarem de um ato público que acontecerá a partir da 7h e 30m, no centro desta cidade, saindo da frente do prédio da prefeitura e passando por algumas das principais avenidas de Caicó.

Façamos isso hoje, para que nossos filhos não continuem passando por isso amanhã!

domingo, 17 de março de 2013

Catástrofe Ambiental 3,1 bilhões na extrema pobreza em 2050


Se chegarmos a 2050 em um cenário de desastre ambiental, 3,1 bilhões de pessoas a mais estarão vivendo na extrema pobreza, se compararmos com os dados das projeções mais otimistas. Na comparação com o cenário base, serão 2,7 bilhões a mais, segundo o relatório do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), divulgado nesta quinta-feira (14), com base em números referentes ao ano de 2012.

O relatório analisou vários cenários ambientais e considerou os efeitos previstos do aquecimento global sobre a produção agrícola, o acesso à água potável e o saneamento básico e poluição. A ONU deixa claro em seu relatório que apesar de as ameaças ambientais como mudança climática, desastres naturais, desmatamento e poluição da água e do ar atingirem todo o mundo, os países e comunidades pobres são os mais prejudicados. 

O sul da Ásia e a África subsaariana serão as regiões mais afetadas. Comparando com 2010, em 2050, serão mais 650 e 685 milhões de pessoas na extrema pobreza, respectivamente. Se comparado com o melhor cenário, são mais 1,194 bilhão e  995 milhões de pobres em cada região. A mudança climática já está crônica e as perdas de ecossistemas estão restringindo oportunidades de subsistência, especialmente para as pessoas pobres, diz a ONU. 

"Um ambiente limpo e seguro deve ser visto como um direito, não um privilégio", afirma no relatório. Sob o cenário de catástrofe ambiental, o valor médio global do IDH seria 15% menor em 2050 do que no cenário base, que assume uma continuação, mas não um agravamento das atuais tendências ambientais. Nas regiões mais atingidas, o sul da Ásia teria uma queda de 22% no IDH enquanto a África subsaariana teria redução em 24%, o que travaria ou até reverteria décadas de progresso no desenvolvimento humano.

Estas conclusões se baseiam em dois fatores inter-relacionados: um aumento de 1,9 bilhão de pessoas em extrema pobreza devido à degradação ambiental e a manutenção de 800 milhões de pessoas na pobreza (que sairiam desta situação no cenário base). O relatório aponta as ameaças ambientais entre os impedimentos mais graves para aumentar o desenvolvimento humano, e suas conseqüências para a pobreza podem ser muito altas.  

O IDH de 2011 destacou que igualdade e sustentabilidade são indissociáveis. Sociedades sustentáveis precisam de políticas e mudanças estruturais que alinhem o desenvolvimento humano com as metas ambientais, com baixa emissão de CO2, estratégias para combater e se adaptar às mudanças climáticas e mecanismos inovadores de financiamento público-privado. 

As pessoas mais desfavorecidas contribuem pouco para a deterioração do meio ambiente, mas são elas que sofrem na maioria das vezes os seus impactos. Por exemplo, apesar de países com baixo IDH contribuírem menos para as mudanças climáticas, eles estão mais propensos a sofrer com menos chuvas e com aumento em sua variabilidade, com implicações graves para a produção agrícola e de subsistência. Assim, o relatório destaca "a urgência da adoção de medidas para aumentar a resistência das pessoas à mudança climática global." 

Mais prejuízos Outro ponto que mereceu destaque no relatório são os prejuízos causados pelos desastres naturais. De acordo com ele, tais eventos estão aumentando em frequência e intensidade, causando grandes danos econômicos e perda de capacidades humanas. "Em 2011, os desastres naturais acompanhados de terremotos (tsunamis, deslizamentos de terra e assentamentos) resultaram em mais de 20.000 mortes e danos no total de 365 bilhões de dólares, incluindo a perda de casas para cerca de um milhão de pessoas". 

Um dos exemplos citados é dos pequenos estados insulares, alguns dos quais registraram perdas de 1% do PIB a até 8% ou mesmo perdas maiores que seus PIBs. Santa Lúcia perdeu quase quatro vezes seu PIB em 1988 com o furacão Gilbert; Granada perdeu duas vezes seu PIB em 2004 com o furacão Ivan. Para a ONU, o grande desafio para o mundo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa. 

E ressalta que embora possa parecer que a produtividade de carbono (PIB por unidade de dióxido de carbono) subiria com o desenvolvimento humano, a correlação é bastante fraca. Ao comparar países com IDHs médios, como Guatemala e Marrocos, percebe-se que a produtividade do primeiro é de US$ 5 por quilo de carbono, quase o dobro do segundo (US$ 2,60). 

Assim, eles reforçam que o progresso no desenvolvimento humano não precisa aumentar a utilização de carbono e que a política ambiental pode acompanhar o desenvolvimento humano. Apesar disto, o relatório informa que poucos países estão perto de criar um nível global de elevado desenvolvimento humano sem exercer pressão insustentável sobre o ambiente do planeta. (BOL).
 

sábado, 16 de março de 2013

Nomeação de Feliciano contradiz a laicidade do estado brasileiro e afronta os defensores dos direitos humanos.





Tendo como referência a constituição brasileira o nosso país é, conceitualmente, um estado laico, ou seja, que não possui uma religião oficial e que estabelece a liberdade de culto aos seus cidadãos. Porém, um recente capítulo da nossa história tem servido para por em dúvida esse caráter do estado brasileiro.

No dia 7 de março de 2013 o deputado e Pastor Marco Feliciano foi eleito presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM). O problema não está simplesmente no fato dele ser pastor, mas, na postura extremistamente conservadora e preconceituosa que o mesmo demonstra em seu histórico.

Em 2011 Feciano fez declarações preconceituosas nas redes sócias a respeito de africanos e homossexuais, fato esse que lhe rendeu uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) por descriminação e declarações homofóbicas. Além disso, o deputado também é investigado por crime de estelionato.

No dia 31 de março o pastor afirmou, em seu twiter:

“Africanos descendem de ancestrais amaldiçoados por Noé. Isso é fato...a podridão do sentimento homoafetivo levam ao ódio, ao crime e a rejeição”.

Já no dia 20 de janeiro de 2013 o deputado volta a criar polêmicas nas redes sociais:

“os artistas são a favor do casamento gay, os intelectuais também, resta aos cristãos e aos conservadores de valores morais lutarem”.

Repudiando a nomeação de Feliciano, por considera-la incompatível com a luta pelos direitos humanos, várias manifestações tem ocorrido em todo país, como afirma Tania Felix, Jornalista do Adital:

“Em Belo Horizonte (MG) haverá a segunda manifestação neste sábado. O ato acontecerá na Praça Sete, a partir das 14h, e é organizado pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS-MG). Em Campinas (SP) o ato de repúdio começa às 10h no largo da Catedral. Já na capital do Maranhão, São Luís, o protesto ocorre na Assembleia Legislativa do estado, também às 10h.No Rio de Janeiro (RJ), mais uma manifestação ocorrerá, desta vez, no Posto 5 da Praia de Copacabana. No sábado passado (9) cerca de 500 cariocas protestaram contra Feliciano na Cinelândia, no Centro da capital. Cearenses também organizam um novo protesto em Fortaleza (CE), desta vez na Praça do Ferreira, no Centro da cidade, a partir das 14h. Também serão realizados panelaços amanhã (16) nos diretórios do partido de Feliciano (PSC) em Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR)” (ADITAL).

Aqui no Rio Grande do Norte também houve repúdio a nomeação de Feliciano. Manifestantes de diversos seguimentos (movimentos sociais, seguidores da Umbanda e Candomblé, evangélicos, profissionais que trabalham com direitos humanos entre outros) reuniram-se, no último dia 9 de março, na Praça Cívica, de onde partiram para a praia do meio, como forma de protestar e externar indignação diante desse fato que atenta contra os direitos dos cidadãos brasileiros.

A indicação de Feliciano, contrariando a opinião dos grupos, ongs, partidos e políticos que defendem os direitos humanos, aprece como uma afronta não só a esses direitos, mas, também, a laicidade do nosso estado brasileiro, pois, trata-se de uma clara intenção de dotar as ações do estado de uma ideologia cristã conservadora, retrógada e que não acrescenta nada de positivo as lutas em favor da proteção e reconhecimento dos direitos das minorias.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Alunos das escolas municipais estão perdendo aulas todos dias em caicó



Apesar das escolas já terem aberto as suas portas podemos afirmar, categoricamente, que o ano letivo corre sérios riscos de não ser plenamente cumprido, pois, a falta de professores, auxiliares de serviços gerais e outros profissionais é evidente, fato esse que tem deixado muitos alunos e suas famílias revoltadas, desconfiadas e descrentes em relação ao sistema de ensino do município de Caicó.

A educação escolar, um direito fundamental expresso na nossa constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente, tem sido explicitamente negada durante esses primeiros dias de ano letivo nessa cidade.

Temos procurado constantemente dialogar com o governo para solucionar esse problema. Como respostas temos ouvido: estamos vendo...estamos vendo...estamos vendo. Será que este governo está cego? Será que não estão percebendo que os nossos alunos estão perdendo aulas todos os dias em nossas escolas?

Paciência! Não insultem a nossa inteligência!

Nós, que estamos responsáveis por essas unidades de ensino, sentimos a necessidade de tornar público essa falta de respeito, aliás, de humanidade, por parte daqueles que são os responsáveis por essa vergonha, a saber, atual gestão desse município.

Nem havia entrado 2013 e já se planejava o carnaval de caicó, tudo foi pensado em função desse grande evento, todos os esforços foram feitos para que mesmo em meio ao atual quadro de estiagem os festejos carnavalescos não deixassem de acontecer.

Enquanto isso, nega-se, nessa cidade, que grita aos quatros ventos suas manias de grandeza, a principal ferramenta de acessão social, cultural, de conquista de cidadania e formação humana. É desse jeito que se pretende elevar o padrão de vida nessa cidade? A final, quais são as prioridades desse município?

É preciso, ainda, fazer jus a coragem, determinação e compromisso do nosso atual quadro de professores, supervisores, auxiliares de serviços gerais, diretores e demais profissionais que, em respeito aos alunos e as suas famílias, tem mantido as escolas funcionando ainda que em condições precárias.

É preciso torna público esse descaso, pois são os nossos filhos, alunos e famílias caicoenses que são as principais vitimas dessa vergonhosa realidade.

Diante dessa lamentável situação, da forma desastrosa como a educação escolar tem sido conduzida no nosso município, pedimos a todos aqueles que estão sendo prejudicados, e também aos que forem capazes de se indignar diante desses fatos, que divulguem esse desabafo em seus orkuts, facebooks, blogs, email, em fim, em todas as redes sociais disponíveis.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Polemicas acerca da Universidade Federal do Seridó





Nesta quinta feira passada, ontem, a governadora do RN, Rosalba Ciarline, reuniu-se com prefeitos da região seridó, parlamentares e outras personalidades políticas do estado para discutir a criação da Universidade Federal do Seridó.


O debate sobre esse projeto novamente vem à cena cercado por algumas polêmicas. O padre João Medeiros, presente na ocasião, ressaltou a importância de que, caso a nova universidade torne-se realidade, priorize cursos de acordo com as potencialidades da região como: designe, Minério, Corte e Costura. 


Não faz muito tempo que o professor Antonio Neves publicou em seu blog um texto no qual ele  questionava a razão pela qual o governo estava priorizando a criação de mais uma universidade quando o ensino fundamental e médio encontram-se, em muitas escolas da região, em situação bastante difícil.


É fato que uma breve olhada em escolas municipais e estaduais da nossa Caicó nos possibilita perceber que ainda há muito a avançar, tanto em termos físicos, estruturais e organizacionais.


Sem desconsiderar a importância da criação de mais uma universidade para a nossa região, também devemos indagar por que não ampliar o CERES de Caicó, que possui uma enorme área vazia que poderia se transformar em novas salas de aulas e repartições para criação de novos cursos.


 A seguir, reproduziremos os recentes discursos dos padres João Medeiros e do Professor Antonio Neves, por considerarmos relevantes para reflexão sobre este fato.


PADRE JOÃO MEDEIROS


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"É preciso que tenhamos bem definidos o que nós pretendemos, em termos de cursos, para que não haja redundância. Levei para o Seridó há 40 anos ensino público, levei também para o Seridó o ensino privado e alguns cursos não estão em consonância com a realidade da região. Ao se criar uma universidade para o Seridó, nós devemos ter um espaço que reflita as politicas particulares, governamentais e próprias do Seridó.

Até o dia de hoje eu não conheço nenhum curso no Rio Grande do Norte voltado para o Sal, a extração, a qualidade e a comercialização do sal. Os gaúchos estão mais avançados do que nós, eles tem curso superior de churrasco; na universidade de Caxias eles têm o curso de vinhos. Nós não temos nenhum curso voltado para as nossas regiões. Talvez para Caicó fosse necessário elencar uma série de cursos, para que, não só alavancar o desenvolvimento do Seridó, mas que fosse capaz de sensibilizar os técnicos do MEC.

Como é que nós vamos chegar em Brasília e pedir um curso de Ciências Contábeis, se nós temos em todo lugar? As freiras do Amor Divino estão fechando as faculdades porque oferecem cursos que em qualquer lugar tem. Em Assu tem um curso de Ciências Contábeis a 500 metros de distancia da UERN que oferece o mesmo curso gratuitamente. Então é fundamental que ao elaborarmos tudo isso coloquemos no papel tudo que pretendemos. Isso não vai entrar em rota de colisão com as demais universidades do Estado. Nós queremos uma universidade que tenha a autonomia da criação de cursos. Hoje eu levo mais de quatro anos para ter o credenciamento de um curso de nível superior e quando eu consigo as coisas já estão superadas. Se nós pretendemos um curso de gastronomia para Caicó, que se faça imediatamente. Daqui a pouco vem um gringo ou um chinês e vai dizer que o queijo e a carne de sol de Caicó é da China e vai patentear. Nós pretendemos cursos de gestão de Saúde e cada vez mais são coisas delicadas. Nós queremos um curso que eu chamo de moda, de bordados.

O bordado do Seridó é uma cópia fiel, uma herança de Bruges, na Bélgica. Isso não tem um espaço universitário e acadêmico e é preciso que isso seja aproveitado, porque daqui a pouco vem um cearense, apresentando um bordado genérico do Ceará como se fosse um bordado de Caicó. Eu desafio daqui a dez anos existir um seridoense que saiba o que é aluar, nós temos uma culinária própria e o curso de gastronomia seridoense iria preservar a nossa cultura, a mão de obra e valorizar a engenharia de alimentos.

Estou mostrando pequenos exemplos que devem enriquecer o nosso projeto pedagógico. Claro que o Estado vai colaborar com toda a realidade infra-estrutural e assim por diante, mas os prefeitos devem expressar os seus anseios técnicos. Eu levei para Caicó há 40 anos dez cursos que não vigoraram porque eram cursos alienados para a realidade do Seridó, e nós não queremos que se repita isso. Eu já estou cansado de fundar tanta faculdade e ver fechada. Não convém realmente abrir uma Universidade Federal para amanha ela fechar. É preciso que na verdade nós delineemos toda essa parte técnica que na verdade é mais importante para sensibilizar o MEC. Quem vai analisar esse projeto são os técnicos do MEC, os políticos vão votar mediante um parecer técnico e bem fundamentado”.

PROFESSOR ANTONIO NEVES 

Em nome de uma nova universidade para o Seridó; tradicionalistas repensam a região de cima pra baixo
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Debater a educação é sempre uma oportunidade de trazer a tona seus problemas, desafios e possibilidades. No Seridó e mais precisamente em Caicó, ai sim, é que o tema ganha contornos que precisam ser considerados na hora de diferenciar o porquê de defendermos este ou aquele modelo de educação, qual o melhor investimento e seus principais beneficiados.
O debate sobre a Universidade Federal do Seridó volta à tona. Desta vez ganhou novos adeptos, com poder e influência capaz de acelerar a implementação de tal projeto. Lembro que em 1998 certo vereador da esquerda local levantou este mesmo debate; foi ignorado. Muitos dos que hoje assumem a bandeira da necessidade de uma nova universidade para o Seridó, naquele momento foram contra, alegando que já tínhamos uma universidade, - a UFRN (Campus do Seridó) - e que o ideal seria investir para que a mesma ganhasse novos cursos e investimentos. Agora fazem coro por outra universidade. O que será que mudou?
Sem sombra de dúvida, precisamos cada vez mais melhorar as condições do Ensino Superior e dentro dele proporcionar a toda uma geração, o acesso à cidadania e as oportunidades da aquisição do conhecimento humano, científico e profissional. Mas a mesma tradição que aponta para estes caminhos, diz também que, não se chega a uma universidade sem antes, não trilhar, desde a infância, os bancos escolares do ensino infantil e fundamental, porém, argumentos que reforçam os conceitos da tradição cultural em nome da manutenção de um status quo educacional sem a preocupação de enxergar a universalização da problemática de todo o sistema de ensino em questão, que vai deste a insuficiência do Ensino Infantil/Fundamental até a supervalorização do Ensino Superior, pode revelar o que esta tradição, desarticulada com o resto do processo em voga, subtrai no seu contexto histórico.
No âmbito dos interesses do desenvolvimento local, afirmo, sem desviar-me do foco central do debate, que não se pode resolver o problema do acesso e investimentos para o Ensino Superior, ignorando, sistematicamente e socialmente, a crise por que passa o ensino infantil e fundamental em nossa cidade e região.
A velha lógica da tradição de poder no Brasil, por onde passa também as fórmulas mágicas e insuficientes de investimentos para a construção dos sistemas educacionais brasileiros, (infantil, fundamental, técnico-profissional e superior) sempre se mostra contraditória na hora de enxergar velhos problemas acumulados nas órbitas destes sistemas, quando procuram resolver questões de ponta (como a criação e instalação de novas universidades), adotando uma leitura analítica de cima pra baixo, como querem fazer agora com o debate levantado sobre uma nova universidade para o Seridó. Primeiro construímos novas universidades, mesmo que paralelamente o ensino infantil /fundamental público não esteja dando respostas para pavimentar o acesso de jovens e adultos até essas universidades, onde quer que elas estejam instaladas.
Não sou contra uma nova universidade para o Seridó. Jamais! Mas suspeito que o rumo das prioridades esteja invertido, o que só evidencia o distanciamento em que estão muitos dos que fazem coro a este projeto, com a realidade por que passam 70% do sistema educacional públicos vinculados ao Estado e aos Municípios na nossa região. É como se não houvesse nenhuma associação entre os caminhos que se começa a percorrer lá no ensino infantil/fundamental, com os que levam aos bancos de uma universidade pública. Sob a lógica em discussão, o que se percebe é que, o distanciamento entre uma ação e outra não permitem uma articulação entre si, nem tão pouco geram a sinergia necessária para romper com o elitismo que valoriza uma e o descaso que abandona a outra.
Que bom seria se esses senhores e senhoras, homens e mulheres influentes da sociedade caicoense, que estão imbuídos politicamente em trazer a Universidade para o Seridó, dispensassem parte desta dedicação para procurar discutir e resolver coletivamente o problema do Ensino Infantil e Fundamental públicos da nossa cidade. Oportunidades não faltaram, nem haverá de faltar. Estes sistemas agonizam visivelmente, mas a maioria prefere virar as costas para a situação, mesmo que os filhos do Seridó e de Caicó, tão louvados nas falas proclamadas dos que defendem a nova Universidade, vivam o dilema de ter que encarar todos os dias, o sucateamento da escola pública local, que vai desde problemas, GRAVES, na sua infraestrutura, passando por uma total falta de investimento e projetos pensados, planejados e discutidos com toda a comunidade que favoreça a construção político-pedagógica de mecanismos que eleve a qualidade do ensino básico, valorizando o cidadão como sujeito que tem o direito de chegar ao Ensino Superior pelas vias mais democráticas que movem uma escola pública e universal, sem que uma, por ser básica, seja inferior a que está no topo do status quo do sistema de ensino superior.
Talvez ai esteja a grande contradição do discurso atual dos que adotaram a bandeira de uma nova universidade para o Seridó, com sede em Caicó, quando ao mesmo tempo, ignoram, sistematicamente, a situação calamitante da degradação do ensino básico/fundamental das escolas públicas, principalmente as municipais e, com isso promovem uma campanha de mão única, olhando apenas para um lado do campo onde jogam com a tradição que, como sempre, pensa o Seridó pelas conveniências de sua elite pensante, sempre de cima pra baixo.
Uma nova universidade para o Seridó é tão importante quanto a necessidade de ter que dá melhor qualidade e funcionalidade as escolas de nível básico/fundamental, que vivem uma crise genérica e crescente de sustentabilidade, no entanto, os olhares da velha e tradicional elite local, acostumada a enxergar apenas o que os interesses imediatos sugerem, não permite (por N fatores) forçar, coletivamente e publicamente, o verdadeiro debate que o ensino e a escola pública no nosso município precisa fazer para sair do estado de decomposição que suas contradições apontam sem conseguir desobstruir os caminhos que, no passado, eram trilhados pelos filhos dos mais abastados em busca de vida melhor nos Campus de ensino das capitais, caminhos estes, até hoje trilhados e sem volta, exatamente porque, ao vivo, a realidade do ensino e da escola pública por aqui é bem pior do que revelam as boas intenções das tradições.
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