sábado, 5 de fevereiro de 2011

Educação Estadual convoca 1.032 professores de contratos temporário

A secretaria estadual de Educação está convocando 1.032 professores de contratos temporários selecionados em processo simplificado para provimento de vagas, realizado em setembro de 2010.

Os candidatos dos municípios pertencentes às Direds de Natal, Parnamirim, Nova Cruz, São Paulo do Potengi, Ceará-Mirim, João Câmara e Macau, devem se apresentar na sede do Centro Estadual de Educação Profissional Senador Jessé Pinto Freire (Cenep), Rua Trairí, nº 480, Petrópolis, Natal. A apresentação será feita nos dias 8, 9 e 10 de fevereiro, nos horários de 8 as 12 e das 14 às 18 horas.

 Os candidatos dos municípios pertencentes às Direds de Santa Cruz, Currais Novos e Caicó, devem se apresentar na sede da 7ª Dired em Santa Cruz, Rua Ministro Mário Andreazza, nº 35, Conjunto Augusto Fernandes Pereira. A apresentação será feita no dia 8 de fevereiro, nos horários de 8 às 12 h, 14 às 18 horas.

Já os candidatos dos municípios pertencentes às Direds de Angicos, Mossoró, Umarizal e Pau dos Ferros devem se apresentar na sede da 12ª Dired em Mossoró, Rua Cunha da Mota, nº 10, Centro. A apresentação será feita nos dias 8 e 9 de fevereiro, nos horários de 8 às 12 e das 14 às 18 horas.

Documentação

Os professores convocados devem levar no ato da apresentação, o currículo impresso obtido na inscrição; comprovante de taxa de inscrição; cópia da identidade; comprovante de residência; cópia do título de eleitor e comprovação de quitação; cópia do CPF; cópia do PIS ou PASEP; cópia da Certidão de Reservista (sexo masculino); cópia da Certidão de Nascimento ou Casamento; cópia de Certidão de Nascimento dos filhos; cópia da Carteira de Trabalho e Previdência Social (página com foto – frente e verso, e contrato de trabalho); número de Conta Bancária e agência em nome do titular do contrato (Banco do Brasil); e cópia da documentação declarada no Currículo Pessoal.

- Publicado por Robson Pires, na categoria Notas às 15:40 em 4/02/2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

SOBRE DIREITO DE GREVE AO TRABALHADOR EM ESTÁGIO PROBATÓRIO


Mesmo não sendo advogado resolvi realizar uma pesquisa e dedicar aqueles que fazem parte dos novos funcionários da Prefeitura de Caicó-RN. Temos ouvidos muitos boatos de grupos ligados a gestão em vigor que põem em dúvida o nosso direito a Greve. Porém, também a aqueles que afirmam com plena convicção que o fato de estarmos em estágio probatório não nos exclui desse direito trabalhista.

Afinal, quem está com a razão? Temos direito de lutarmos pelos nossos direitos ou o estágio probatório nos restringi o direito a cidadania?

A especialista e Direito Processual Civil e Pós-Graduada em direitos humanos pela Universidade de São Paulo, Fábia Lima de Brito Damia, faz um relato sobre a omissão de mais de 19 anos, por parte de nossos legisladores, com relação ao Direito de Greve concedido aos trabalhadores na constituição de 1989.

Esta omissão deve-se ao fato de que apesar de Constituição Federal de 1989 estabelecer o direito de greve como uma das garantias fundamentais dos trabalhadores, a ser exercido dentro dos limites da lei com as dividas punições aqueles que cometerem excesso, tais limites nunca havia sido definido por legislação especifica. No entanto, em 2007, Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que na ausência dessa legislação especifica deveria ser aplicada a lei 7.783/89 fato esse que também é confirmado em texto de Carolina Brigido publicado no site O Globo:

“Os ministros do tribunal concordaram que, em casos de paralisação no funcionalismo público, deve ser aplicada a Lei 7.783, de 1989

Como pude constatar através da Leitura da lei 7.783/89, nela não há nenhum artigo, parágrafo ou inciso que exclua o direito de greve do funcionário público em estagio probatório. Aos que se interessar em ler o conteúdo dessa lei basta clicar na segunda opção dos endereços expostos no fim desse artigo.

O texto de Aquino (4º link do fim da pagina) que trata também sobre a temática do direito de greve dos servidores em estagio probatório também nos diz o seguinte:

“Tratando-se de direito fundamental do trabalhador, mesmo aqueles servidores ainda não estáveis, submetidos ao chamado estágio probatório, têm direito de greve nos mesmos termos dos servidores estáveis. Não há como ser aplicada pena de demissão a tais servidores, uma vez que tal pena só pode ser imposta quando o servidor comete alguma das irregularidades estabelecidas no art. 132 da Lei n.° 8.112/90, não constituindo, a participação em greve, uma delas. E nem poderia, uma vez que, como já se viu tal manifestação está garantida pela Constituição Federal de 1988 tanto aos trabalhadores do setor privado quanto do setor público”.

Diante do que foi exposto chegamos ao entendimento de que o direito de greve foi elevado, pela constituição de 1988, a garantia fundamental dos trabalhadores brasileiros, resultado de lutas históricas dos seres humanos e, portanto, não pode retroagir e nem excluir nenhum servidor, nem mesmo nós que estamos em estágio probatório, situação que apenas implica num período de avaliação de nossa aptidão para cargo que passamos a exercer. O Estágio Probatório, portanto, não nos exclui do principio de isonomia, que nos iguala perante a lei.

A greve dos Servidores em estágio probatório não ilegal, a lei está do nosso lado. Portanto vamos à luta!

Paginas consultadas:


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SEMANA PEDAGÓGICA COMEÇA COM AMEAÇA DE GREVE DOS PROFESSORES MUNICIPAIS



Uma imensa insatisfação acomete os professores de Caicó com relação a política salarial implementada pela gestão do prefeito Bibi Costa.
Segundo o Sindicato dos Servidores Publico de Caicó (SINDSERV) o prefeito Bibi não vem cumprindo a Lei nº 11.494 que diz respeito ao piso salarial.
A Conferência Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) afirma que, em cumprimento aos reajustes previsto pela Lei do Piso salarial, o salário base dos professores para 2011 deveria ficar em torno de 1.597,087 R$. No entanto, em Caicó a situação está bem distante dessa realidade.
Diante do que vem acontecendo o SINDSERV participa da semana pedagógica promovendo uma campanha para denunciar o descaso e acenar com uma possibilidade greve para o inicio do ano Letivo.

A indignação e a possível greve são legitima diante de um governo que não valoriza o trabalho dos educadores. É um absurdo pregar uma educação de qualidade quando se paga mal aos seus agentes. Bons profissionais precisam ser bem pagos, fica difícil atraí-los para uma categoria pagando-lhes com esmolas.
Temos a impressão que Caicó é hoje uma República Independente ilhada no Seridó. Como é que o congresso nacional aprova uma lei, o presidente sanciona e em nossa cidade essa lei não é cumprida? Sinceramente, não dar para entender a nossa legislação.

EDUCAR É SER UM ARTESÃO DA PERSONALIDADE



Mais um ano letivo está preste a se iniciar em muitas escolas públicas e privadas do nosso país. Apesar da diversidade sócio-cultural brasileira podemos dizer, com as devidas ressalvas, que há inúmeros questionamentos e conflitos em comum entre as nossas diversas realidades educacionais.
Porque que os alunos não se concentram? Porque não conseguem aprender quase nada, ou nada, que ensinamos? Porque repetem os mesmos erros dos quais já foram advertidos?
Vivemos em um mundo bem diferente daquele de nossos pais, a informação é cada vez mais acessível, circula nas ondas do rádio, pela televisão pela internet e ainda assim temos dificuldades em ensinar a uma geração cujo acesso ao saber é bem mais democrático do que aquelas que nos antecederam.
No entanto é justamente essa modernidade,dinâmica, veloz, que muda a cada instante, que se impõe como desafio aos educadores – pais e professores.
A modernidade, as inovações tecnológicas, se renova numa velocidade incrível. A todos instante somos bombardeados por milhares de informações, porém não fomos e nem estamos sendo educados a lidar com tantos estímulos. Para que essas informações, veiculadas por rádio, televisão, internet, outdoor se tornem úteis, ou seja, se transformem em conhecimento, é preciso que sejam, submetidas a crítica, avaliadas, comparadas a realidade, aplicadas para solucionar ou pensar problemas do cotidiano e, contudo, servir a vida.
Augusto Cury nos Alerta para o que ele chama de Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) que é, ao seu vê, um dos grandes males das sociedades modernas. A sociedade ficou viciada em pensar, em receber informações de um sem número de produtos a venda na internet, veiculadas em comercias televisivos e de problemas radiofônicos, em se envolver com as emoções de um filme de amor, de terror e se divertir com um filme de comedia ou de animação em 3 D. São tantos estímulos que o nosso cérebro fica sobrecarregado, causando stress, depressão, esquecimento, fadiga e outros danos a nossa saúde além de perdermos a capacidade de apreciar fatos simples e significativos da vida.
Estamos diante de uma sociedade que se viciou e se vicia nessas emoções e estímulos e que produz uma alienação que castra a nossa humanidade. Passamos a maior parte do tempo trabalhando, levando os filhos para shopping, para cinemas, presenteando-lhes com vídeo games, matriculando-os em vários cursos mantendo, assim, suas mentes ocupadas, saciando seus vícios emocionais. Por outro lado, esquecemos de sentar-se à mesa com nossos filhos, dividir com eles as nossas emoções, de compartilhar as nossas histórias de vida, nossas idéias, de lhe dar afeto, de mostrar para eles que eles são muito importantes para nós.
O que está ocorrendo no âmbito familiar também não diverge muito da realidade escolar. Em muitos casos estamos nos prendendo nos recursos didáticos, nas imagens a serem exposta em cartazes ou slides, nos conteúdos a serem vencidos, nas provas a serem aplicadas. Não é que tais ingredientes não sejam importantes, mas é preciso pensar também no lado humano da educação. Nossos alunos não são depósitos de informações, de imagens, são seres humanos, cada um deles é um mundo a ser descoberto, com necessidades diferentes, com vidas diferentes e não apenas um número na sala de aula.
Diante desses desafios da contemporaneidade não basta ser bons pais e professores, temos que ser brilhantes e fascinantes, como também nos ensina Augusto Cury.

A mídia já descobriu o caminho, através do impacto das cores, de cenas violentas, de cenas surpreendentes, frases de efeitos, músicas e uma infinidade de recursos molda uma sociedade alicerçada no consumismo, egocêntrica, excludente e carente de afeto o que também acaba gerando violência, stress, síndrome do pânico, síndrome de Burnout e outros males desses tempos atuais.

Mas esse caminho pode ser refeito com cores mais alegres. Através de estímulos emocionais podemos gerar momentos de aprendizagens com fins humanizantes. Surpreenda seus filhos com afetos, com elogios. Surpreenda seu filho dizendo não, o fazendo perceber limites, dialogando.
É preciso que os educadores, sejam eles pais ou professores, resgatem o caráter afetivo do ato de educar para que sejamos verdadeiros artesãos de personalidades. Temos que impressionar nossos filhos e alunos, compartilhar com eles as nossas historias, nossas experiências de vida, nossos fracassos, nossos medos, nossos sentimentos, pois, assim, estaremos nos doando. É preciso estabelecer pontes entre as nossas vidas e a deles, fazer-lhes perguntas, estimulá-los a pensar, a expor seus pensamentos, dúvidas e alegrias. Surpreenda, essa é a palavra chave. Cativemos nossos filhos e alunos pela emoção, conheçamo-los, entendamo-los seus modos de pensar e, inclusive, mostremo-los humildade para pedir desculpas quando errarmos em nossas atitudes.
É através de momentos significativos, impactantes, que podemos aprender com a mídia para trilhar um caminho para uma nova educação, através da qual podemos construir um novo mundo, sociedades mais solidárias, indivíduos capazes de refletir sobre seu mundo exterior e interior, pessoas felizes e resolvidas na vida. A humanização da educação é uma das maiores necessidades diante dos cânceres da alma que enfermam o homem contemporâneo.


domingo, 15 de agosto de 2010

INDISCIPLINA! FREUD EXPLICA!



Alunos violentos, indisciplinados, que demonstram falta de interesse, desrespeitam colegas e professores é algo cada vez mais constante em nossas escolas. É impossível apontar uma única causa para tantos problemas, mas é imprescindível a necessidade de estarmos constantemente refletindo, pensando soluções e assumindo posturas afim de que possamos garantir uma melhor aprendizagem para os nossos alunos.

Dialogando com Freud, descobrimos que os impulsos mentais que podem esta na origem desses comportamentos de nossos educandos é algo presente em todos os indivíduos, afinal, quem nunca teve um ímpeto de fúria? Quem nunca se arrependeu por ter se comportado de maneira precipitada, por ter tomado uma atitude que poderia ter sido evitada?

Sigmund Freud nos ensina que estamos todos sobre efeito de uma guerra interna, travada no cerne de nosso ser, um conflito necessário onde três forças beligerantes – o id, o ego e o superego – estão em constante confronto.

O id, a mais antiga dessas forças bélicas, já nasce conosco, sendo a primeira a marca posição no campo das operações que ocorrem em nossa mente. Por ser a mais antiga é também a mais centralizadora, autoritária, que constitui a nossa personalidade – que é o espaço disputado por as mencionadas potências. Os nossos impulsos e desejos, as emoções e nossas buscas pela satisfação imediata são alguns dos praças que compões as forças do id.

A outra força envolvida nessa batalha é o ego. Esse surgi como uma necessidade dos indivíduos de controlar os seus impulsos, os desejos originários do id. Se não houvesse o ego as forças do id seria incontroláveis. No entanto o ego controla os impulsos do id ao mesmo tempo em que lhe faz concessões.

Quando estamos com fome, ou quando simplesmente somos incitados pelo desejo de comer algo que os nossos olhos vêem, são as forças do id que estão em ação. Pensemos agora que isso ocorra num momento em que estejamos entrando em uma lanchonete e repentinamente os nossos olhos são seduzidos por uma deliciosa pizza que o garçom está servindo na mesa de alguém. Diante dessa situação somos tentados por um desejo de devorar aquela peculiaridade da cozinha italiana. Nesse instante, se não fosse a intervenção do ego, o nosso id liberaria uma energia que nos faria avançar sobre o nosso alvo feito um animal selvagem e faminto, o que provavelmente não acabaria bem. São em ocasiões como essa que o nosso ego entra em ação, ele também deseja que o nosso corpo sinta a satisfação de comer aquela pizza. Porém, o ego não quer que soframos as conseqüências de uma atitude precipitada. Assim, o ego nos conduziria a reflexões do tipo: esse não é o momento oportuno, posso tentar pegar quando ninguém estiver vendo.

A terceira força presente nessa batalha psíquica é o superego, cuja moral, a ética, as noções de certo e errado são alguns de seus soldados. O superego, no exemplo citado anteriormente, seria o responsável por reflexões do tipo: não posso tomar a pizza daquele que pagou por ela, pois não gostaria que o mesmo ocorresse comigo; posso esperar receber a minha mesada para pagar por uma igual a essa.

Percebe-se que tanto o id, o ego e o superego divergem enquanto os métodos mas convergem enquanto o propósito da satisfação do ser, a realização de um momento em que os impulsos são liberados, fato esse que é responsável pelos momentos de trégua entre as mesmas.

Partindo dessas premissas que encontramos em Freud é possível considerar que as atitudes dos nossos alunos estão relacionadas a impulsos oriundos, em muitos casos, de desejos reprimidos, censurados pelo superego. Assim, seria pertinente indagar – ao vermos um aluno bater na carteira ou num colega – qual a origem daquele impulso? Quem ou o quê deveria ser o real alvo objetivado pelo inconsciente daquela criança? Em fim, por qual motivo aquele aluno está a se comportar daquele modo?

O superego é responsável por limitar as pulsões do ego e do id, regulando o que é possível ou não na busca pela satisfação individual sendo pautado por normas de condutas, valores éticos aprendidos e reconstruídos pelos indivíduos durante o curso da vida social.

No entanto, do mesmo modo que essas regras de condutas, valores morais, são necessárias a uma vida em sociedade podem também aprisionar os indivíduos. Supomos, por exemplo, uma criança que adora está mexendo com as mãos, construindo edifícios com dominó, fazendo boneco de barro, cortando papéis para dar uma forma desejada. Diante da atitude da suposta criança os pais passam a considerar que a mesma possui uma tendência a ser desorganizada, bagunceira. Assim, a criança poderá aprender que a sua atitude de está sempre se utilizando das mãos não é correta mudando, contudo, o seu modo de agir pautada nos ensinamentos de seus pais. Porém, o desejo reprimido de utilizar-se das mãos continuará a existir passando a habitar o inconsciente do individuo e, cedo ou tarde, tenderá a se manifestar. Desse modo, o escape oportuno, ou não, encontrado por nossa criança fictícia de expressar sua criatividade manual poderá vir através de um soco desferido contra um colega.

Tornar o ego mais independente do superego, encontrar formas para que os alunos expressem os seus desejos, pode ser um interessante caminho para reduzir a violência e a indisciplina escolar.

Não se trata de dispensar os valores morais aprendidos socialmente. Porém, é imprescindível, para o pleno desenvolvimento da personalidade, que o individuo conheça a si mesmo, saiba realmente o que quer, o que lhe proporciona prazer. Trata-se de oportunizar aos alunos momentos para contrapor os seus valores a seus desejos, questionar sobre a real validade das normas aprendidas, até que ponto elas devem ser aceitas, reelaboradas ou até mesmo descartadas.

A democratização do debate entre alunos, professores, diretores, supervisores e demais funcionários das instituições de ensino, no intuito de repensar práticas escolares e normas de condutas na escola é uma estratégia possível quando se quer criar soluções para que o ambiente escolar seja também um ambiente favorável a expressão dos impulsos e desejos do educando.

Aproximar-se do aluno, conhecê-lo, conduzi-lo ao autoconhecimento pode ser, além de um possível caminho para redução da indisciplina e da violência na escola, uma maneira de tornar essa instituição um lugar de produção e criatividade, revelando talentos e formandos cidadãos cônscios de seu papel no mundo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

MÊS DE JULHO: A FÉ, A FESTA E A EXCLUSÃO





É mês de julho e como diz uma canção popular: a festa começou, é a festa de Sant’Ana, nã, nã, nã, nã, etc....


No entanto é oportuno perguntar para quem a festa chegou.


É inegável que o caráter religioso do mês de julho em Caicó sempre foi e continua sendo muito forte. Procissões, novenas, devoção uni a todos – caicoenses e visitantes – em torno de um sentimento de fraternidade e espiritualidade surpreendente.


Na parte religiosa, portanto, todos se irmanam e compartilham de um sentimento comunal de fé e devoção a Nossa Senhora Sant’Ana. Mas e na parte social da festa? Estamos também em condições de igualdade nesse aspecto?


O que temos constatado é que os custos financeiros da programação social da festa de Sant’Ana tem sido um termômetro eficaz para avaliarmos o nível da desigualdade social presente em nossa cidade no que tange o acesso ao lazer e participação nos eventos festivos.


A realidade é que o nosso grande evento sócio religioso é um privilegio das elites econômicas locais e de outros cantos do país. Acima de tudo o que temos é um evento comercial, um produto a ser vendido e que custa caro aos cofres públicos – propagandas na mídia, Mensagens em outdoor, infra estrutura – sendo, portanto, comercializado como qualquer produto nas “vitrines” do turismo estadual.


O problema é que os custos de tudo isso não é repassado apenas para quem pode pagar. Mas também para os filhos de famílias pobres, pessoas que quando muito tem é um salário mínimo, gente que tem encontrado cada vez mais dificuldade em participar da Festa de Santana.


Nessa época os alugueis de casa, os produtos de supermercado, os restaurantes, os bares, as festas de clubes, em fim, tudo o que possamos imaginar fica mais caro. A Ilha de Santana, que deveria ser um local responsável por oportunizar uma maior acessibilidade a lazer, torna-se nitidamente no lugar da exclusão.



As crianças, os adolescestes, os jovens e os idosos das camadas mais humildes tem o poder de participação reduzido diante do alto custo dos parques de diversão, das bebidas, dos sanduíches, do espetinho, da pizza e outros produtos vendidos no espaço da Ilha de Santana que sofrem um reajuste exorbitante de preços .


O que mais me deixa indignado é saber da existência de discursos forjado pelas elites, e que tem conseguido se disseminar no cerne das camadas populares, que atestam a legitimidade da exclusão do povo da parte social da festa de Santana. Há quem diga que caicoenses participam da Festa de Santana de atrevidos, que este evento é para, principalmente, os visitante mais favorecidos economicamente, que nós temos é que trabalhar para servir aos que chagam na nossa cidade.


Porem, o que os reprodutores desse discurso esquecem é que a Festa de Santana é produto do esforço de homens e mulheres de Caicó. A estrutura da festa, as bandas contratadas, as estradas remendadas, todo esse custo também já é pago por homes e mulheres de nossa cidade através dos vários impostos que pagamos. É justo que paguemos duas vezes?


É preciso por um basta nessa excludente realidade do mês de julho em Caicó. Nossas autoridades, em especial aquelas que são representantes eleitos pelo voto do povo de nossa cidade, precisam criar alternativas para proteger a nossa população dessas injustiças.


A festa de Santana precisa deixar de ser apenas uma mercadoria e torna-se, tanto no aspecto religioso como no social, um fenômeno que proporcione a fraternidade, a comunhão de todos em torno de tudo o que Nossa Senhora Santana representa para os cristãos católicos.


É preciso ter cuidado e não aceitar de bom grado todos os discursos criados pelas elites economicamente mais poderosas. Nós caicoenses temos sim o direito de participar da Festa de Santana. Não deixem de participar. Se a bebida ta cara na Ilha de Santana compre em outro local mais barato e leve para aquele espaço; se o lanche ta caro, leve sua de casa e vá com sua família fazer um Piquenique.


Não devemos dar o prazer da nossa ausência aqueles que a desejam. Se nos acham atrevidos por querermos participar da festa que criamos sejamos mais ousados ainda, vamos pintar o logotipo da Festa de Santana com o rosto do povo de Caicó.